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EM SUA TERCEIRA EXPEDIÇÃO, CURITIBANO CONTA COMO “LARGAR TUDO” E VIAJAR PELO MUNDO

Ike Weber vai ao Extremo Oriente. O jornalista, fotógrafo e viajante curitibano se prepara para uma jornada de três meses pela China, Coreia do Norte e do Sul, Japão e Taiwan.
 
É sua terceira grande viagem. Na primeira, ele levou 11 meses para ir do Peru ao Alasca entre 2012 e 2013. Na segunda, foi de Hong Kong à Rússia em um itinerário de sete meses, de 2015 a 2016.
 
Elas importam porque não servem só pra matar a vontade de fazer passeios longos e sem data para terminar, desejo que Weber tem desde que fazia mochilões na adolescência. São “expedições jornalísticas e culturais”, como ele gosta de chamar, que depois viram um monte de histórias contadas em livros, palestras, exposições e oficinas.
 
O formato também foge do turismo usual. Weber viaja sempre sozinho, usando o meio de transporte que tiver à mão. Num dia pode ser trem; no outro, bicicleta e até cavalo.
 
A relação com os lugares é de imersão: o jornalista tenta se aproximar das pessoas que moram lá e conhecer a vida que levam. E documenta tudo para produzir reportagens e conteúdo (uma parte pode ser vista em seu site).
 
Ásia de novo
 
A expedição ao Extremo Oriente começa nesta quinta-feira (28). O ponto de partida será Pequim, capital da China, de onde Weber seguirá para a Coreia do Norte — um de seus principais interesses nesta viagem.
 
“Sempre vou muito aberto [para as expedições]. Vou para as regiões mais variadas pelo interesse que tenho em conhecer tudo. Mas tenho interesses específicos nessa região. A realidade bizarra da Coreia é um deles e, coincidentemente, estou indo em um momento de bravata ou possível guerra”, conta, em entrevista ao Viver Bem.
 
As exigências que o jornalista teve de cumprir para visitar o país foram a etapa mais trabalhosa do planejamento.
 
Da Coreia do Norte, o jornalista volta para a China. Ele vai percorrer a costa oriental do país, de onde seguirá, por água, para a Coreia do Sul.
 
Em seguida, ruma para o Japão, também por mar, antes passar por Taiwan e encerrar a viagem, novamente, em Pequim.
 
Weber conta que também está particularmente interessado em estudar, durante a viagem, as inovações das chamadas “cidades inteligentes” na Ásia.
 
Serão cinco em sua rota: Seul e Songdo (Coreia do Sul), Tóquio (Japão), Taipei (Taiwan) e Hong Kong (China).
 
A volta está marcada para as vésperas da virada do ano.
 
Escolha
 
Juntando tudo até aqui, são mais de dois anos fora de casa. “Meu objetivo é ter um cotidiano de viagem”, diz, contando como concilia o projeto com a família e o trabalho. “Quando você viaja a longo prazo, sua vida é a viagem”, explica.
 
Em sua primeira expedição, entre 2012 e 2013, Weber levou 11 meses para ir do Peru ao Alasca, passando por Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Guatemala, México e Estados Unidos. Foto: Acervo pessoal
 
Quem está lendo isso de crachá e com vista para uma divisória deve estar se perguntando quanto custa ser um “viajante”, e quem é que pode fazer algo assim.
 
Pelos cálculos de Weber, a conta dá uma média de 30 dólares por dia em países em desenvolvimento na Ásia e na América Latina, incluindo hospedagem, alimentação e transporte terrestre. Em lugares mais caros, como Estados Unidos, Japão, Hong Kong e Coreia, gasta-se uns 50.
 
Esse valor não inclui as passagens de avião e é suficiente apenas para uma viagem padrão aventura (hospedagem é em hostel e comida, às vezes, é de supermercado).
 
O custo total também inclui abrir mão do emprego e, em geral, não saber como vai ser retomar a carreira na volta.
 
Weber não deu exatamente um salto no escuro. Em 2012, quando deixou o cargo de diretor de Comunicação do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para ter seu período sabático, tinha portas abertas para voltar.
 
A expedição, no entanto, acabou engrenando como projeto profissional — cerca de 70% do que Weber gastou na primeira viagem voltou por meio de editais, parcerias, palestras e conteúdo jornalístico. A segunda já começou com 50% do custo financiado desse jeito.
 
Alasca, ponto final da primeira expedição de Ike Weber, em 2013. Foto: Acervo pessoal
 
O jornalista nunca voltou ao emprego. “Não me arrependo. Fiquei nove anos lá. Poderia ter ficado 20, mas o que teria feito?”, reflete Weber, que tem 50 anos e duas filhas — uma de 27 e uma de 1 ano e 4 meses.
 
Ele diz que perder um salário fixo e estar “do lado de fora” é mais difícil, mas que as experiências que esta forma de viver propicia acabam compensando. “Viajar ajuda a dar sentido ao que realmente vale a pena”, filosofa.
 
Fonte: Gazeta do Povo

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